Tuesday, October 13, 2009

Mais moscas em 7 minutos de escrita auomática

- Vrummmm, vrummmmm, vrummmm, altamente... hoje o vento está demais, vrummm, vrummmm. Abel, anda cá, as ondas hoje estão fantásticas!!
- Deixa-me comer, tu só queres é brincar e dormir, eu cá tenho fome.
- Pois, já percebi, por isso é que estás desse tamanho ahahah. Olha lá este vento hoje... está a fazer ondas gigantes, nunca curti tanto as ondas como hoje!
- Tu põe-te a pau Manel, distrais-te assim na brincadeira e ainda levas com um mata-moscas.
- Já reparaste, Abel, que quando aparece um mata-moscas, se nos conseguirmos desviar, as ondas de vento são gigantes, do melhor que um surfista pode querer. A vida tem de ser vivida a curtir, senão não tem piada nenhuma! Anda lá, pára de comer e vem divertir-te um bocado.
- Sim, Sim, deixa-me acabar aqui esta casca, este lixo está uma delícia.
- Abeeeeeeeeeeeel, olha a tampa do caixote, vai fechar-se.
Vrummmmm, a melhor onda da vida do Manel ia acontecendo.... pena que ele não se desviou a tempo.

Moscas - 7 minutos de escrita automática

Gostava de poder ver como as moscas. Vêem para todos os lados. às vezes gostava de saber o que dizem as caras daqueles que se encontram por detrás de mim. À frente a cara é sempre a mesma, atrás bem que podem fazer-me caretas, ou expressar o que realmente lhes vai na alma, que eu não vejo. Porque somos todos tão falsos? Porque temos de cumprimentar as pessoas que não nos agradam? Se tivessemos olhos como as moscas haveria muito menos falsidade, pois ninguém consegue manter a fachada constantemente, há que descansar a postura facial, o sorriso falso, amarelo, verde. Se estivessemos constantemente a ser observados pelos outros e a observá-los, saberíamos muito melhor com quem contar, e os outros saberiam distiguir se deveriam ou não contar connosco. As moscas safam-se à morte centenas de vezes, só pelo simples facto de verem as nossas mãos a surgirem por detrás delas em forma de concha, elas até conseguem ver as duas mãos, o que convenhamos lhes facilita muito a vida. Seria tão bom ver para todos os lados, conduzir sem ter que virar a cara, brincar com as mosquinhas que vão no banco de trás sem me distrair da condução. Gostava mesmo de poder ver como as moscas.

Thursday, September 3, 2009

saudades

Olá meu amor. Como corre o teu dia hoje?
Tens muitas saudades minhas? Eu tenho saudades tuas. Muitas. Do tamanho do mundo. Do teu mundo. Do meu mundo. O teu mundo sou eu, não é? Eu e pouco mais. Mas tem de ser, minha querida, infelizmente não podemos passar o dia juntas.
Pagam-me para eu poder pagar a outra pessoa para ela poder estar contigo. Então porque não me pagam, afinal, para eu estar contigo, perguntas-te tu.
É muito difícil. Vais perceber que estar cá acaba por compensar estas dúvidas agonizantes. Espero que o percebas, ou então desculpa pelo meu egoísmo de te ter.
Até logo, meu amor, até logo.

Tuesday, September 1, 2009

bate bate coração desordenadamente. ansiedade. olho em volta como se não 
estivesse presente. à minha esquerda o pedro e a rita discutem a melhor 
maneira de resolverem um problema. à mimnha direita joana trabalha 
calmamente. o rui, à minha frente e à direita vai olhando para o monitor e 
espreita-me. eu só sinto o meu coração a bater e as borboletas a agitarem 
velozmente as suas asas dentro do meu estômago. à frente e à esquerda, 
o manuel e a esperança fazem jogos corporais sensuais, como se ninguém 
reparasse. finjem que falam de trabalho. ou melhor, falam de trabalho, mas 
sem qualquer conteúdo retido nas suas mentes. tudo paira à minha volta. 
ninguém me vê. ninguém me olha. sinto-me como se nem cá estivesse. a íris 
passa aqui ao lado fazendo o seu charme cínico e hipócrita para todos com 
quem fala. TRABALHO. afinal não. nem o trabalho quer nada comigo.

Monday, August 31, 2009

confissões de um monitor

Olá! Estava com saudades tuas! Já lá vão uns bons meses. Têm-me passado pela frente umas caras estranhas, no mínimo, já para não falar nos conteúdos que para aqui mandaram. Pelo menos contigo sempre vejo fotografias engraçadas, também gosto muito do teu trabalho. És organizada, tenho aqui a minha mesa sempre arranjadinha, uma pasta para fotos, uma para brincadeiras, outra ainda destinada só ao trabalho e mais nada. Então o que tens feito? Não me digas que me trocaste por outro este tempo todo! Olha sabes... uma das caras que esteve aqui em frente era tão desorganizada que até metia dó. Estava sempre a falar mal de mim. Eu às vezes apagava só por maldade. Juro! Só para ver aquela cara trombuda quando eu voltava a ligar, ihihih. Quando me começou a bater, dizendo altivamente que só assim é que eu funcionava, deixei-me destas bincadeiras, sim, porque ainda me estragava mesmo.
Enfim. Desculpa este testamento. Era mesmo só para te dizer que és bem-vinda e que estava com saudades tuas.

Maria estava de boca aberta a olhar para as letrinhas que iam aparecendo no ecrã do seu computador.

Wednesday, February 11, 2009

o meu u é de uva

preta e suculenta
cheira bem à distância
e é muito sumarenta

06Fevereiro2009

Conto fantástico

Estava no meio do nada. Era de noite. Não havia luar, só se viam as estrelas. Não eram os dragões a roçar-me o cabelo enquanto voavam dum lado para outro, na tentativa de descobrirem o que era eu, e diria, este era o céu perfeito.
As instruções foram precisas, misturar 2cl de água ao pó, que recebi pelo correio, num espaço aberto, que ele renasceria. Mas nada dizia em relação ao facto de eu ser transportada para outro local. O meu dragãozito, de imediato, se agarrou a mim. Também para ele, acabado de nascer, tudo era estranho. Estávamos os dois num local completamente novo. Olhei à procura dum abrigo para onde pudéssemos fugir. Ao fim de algum tempo consegui vislumbrar um monte, onde parecia haver uma espécie de entrada, provavelmente para uma pequena gruta.
De cabeça baixa corremos até à gruta. Imediatamente um grande dragão tapou a saída da mesma. Ficámos encurralados. Começámos a ouvir umas passadinhas pequeninas, várias.
Eu que sempre gostei de aventuras e do desconhecido, já começava a questionar-me acerca da decisão que tinha tomado ao fazer renascer um dragão daquele pó. Apercebi-me que estava perdida no meus pensamentos, quando dei por nós rodeados de pequenas criaturas. Tinham não mais de 80cm de altura, corpo roliço, orelhas pontiagudas e um olhar amistoso no meio de grandes e peludas sobrancelhas. Fazem-nos sinal com a mão para os seguirmos para dentro da gruta. Tinham tochas nas mãos. Seguimo-los, porque não? O meu dragão já tinha perdido o medo, estava distraído com tudo o que nos rodeava, tinha de o agarrar bem ou ficava pelo caminho. Passada uma hora, chegámos a uma gruta, muito alta e bastante larga, com estalactites e estalagmites a formarem paredes entre as várias alas que a compunham. Pernoitámos ali mesmo. De manhã, as criaturas, que apelidei de ongs, pois era o som que faziam, apontavam para uma ala da gruta. Fui lá espreitar. De repente, dei por mim no espaço aberto onde tinha ido fazer a mistura do pó. Olhava para o pó com a água. O pó tinha-se diluído na água. Só isso.

06Abril2008