Monday, March 31, 2008

Como a Carla ficou desempregada

Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008.
Carla, levantou-se ensonada. Já era 6ª feira, que bom. Melhor ainda porque ia de ferias. As merecidas férias, depois de 6 meses de inferno naquela malfadada empresa.
Chegou cedinho porque tinha de despachar o trabalho, não queria ir de férias com trabalho por acabar.
Estava bem disposta, nas férias ia pensar bem acerca da sua vida. Os prós e os contras das decisões que tinha tomado nos últimos tempos. As últimas semanas das férias já estavam reservadas para não pensar em nada, a não ser na praia que ia ter à frente.
Ultimamente, os problemas no trabalho tinham diminuído, ela tinha decidido não ser tão reivindicativa. O que andava a correr mal acabaria por melhorar. Os colegas, no entanto, neste dia estavam estranhos. As 6ªs feiras normalmente são tão descontraídas. Há mais trabalho que o costume, mas com o fim de semana à porta, todos se animam.
Ao almoço, Carla foi tratar dos últimos pormenores para a viagem que aí vinha. Foi buscar o bilhete de avião à agência de viagens. Aproveitou para comprar um protector solar, o sol do equador é bem mais forte. Não demorou muito, não podia abusar na hora do almoço, senão teria um e-mail à sua espera quando chegasse a avisar que os horários de entrada eram para cumprir.
A tarde passou-se estranha mas célere já que ninguém falava com ela.
6.20 toca o telefone. Era o Patrão. Que será que ele queria? Estava quase na hora de se ir embora, será que nem no último dia antes de ir de férias a deixavam em paz? — pensava Carla enquanto se levantava para ir ter à sala dele.
Entrou na sala, ele disse-lhe para não fechar a porta e para se sentar. Estranho.
- Carla, começou o Patrão, deves estar a imaginar o que te vou falar.
Carla fez uma cara inquisidora. Dando a entender que não percebia onde ele queria chegar.
- Bom, como sabes, o nosso relacionamento desde que cá chegaste há 6 meses atrás, não tem sido o melhor.
Oh meu Deus, pensou Carla, será que ele não podia deixar esta conversa para depois das férias, preciso sair, ainda tenho coisas a tratar.
Mas Carla não foi capaz de dizer isto ao patrão. Ficou à espera do que ele tinha para dizer. Se demorasse muito então ela dizia-lhe qualquer coisa.
O Patrão continuou.
- Isto que eu te vou dizer custa-me muito. São decisões muito difíceis que quem está na minha posição tem de tomar, de vez em quando. É por isso que…
Nesta altura, o coração de Carla começou a bater muito forte no seu peito. Começou a tremer. Tentou não dar a entender que estava nervosa. O que era difícil, pois a sua respiração começou a ficar mais acelerada.
- Carla, vou dispensar-te do trabalho nesta empresa. Como o teu tempo de experiência acaba hoje, mais precisamente agora, não precisas voltar. Boas férias,— um sorriso cínico escapou-lhe da boca.
À Carla só lhe saiu um “obrigada” — a coisa que ela menos estava naquele momento, agradecida. A tremer, vira as costas ao ex-Patrão.
Nem direito ao subsídio de desemprego ia ter.

1Março2008

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